18/11/2008 12:17:37

 
       
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agenda salvador

  Novembro Negro
12 a 26/11 - Novembro Negro. Encontros com os Escritores Negros e Seminário "Quilombos: história e experiências negras". Fundação Pedro Calmon.  Mais...
13/11- I Encontro da Educadora com a Produção Musical Baiana. Promovido pela Rádio Educadora FM. ICBa. Mais...
15/11  - Projeto Atitude Construtiva Eletrocooperativa - Praça Tereza Batista. Mais...
16/11 - Projeto Negritude Formação e Arte: Semana de Literatura Afro e oficina de construção de instrumento – Alto de Coutos. I Festival de Pagode de Mesa - Terreiro de Jesus 21hs. Mariella Santiago - Praça Tereza Batista. Mais...
17/11 - SEMANA 20 DE NOVEMBRO. Centro de Estudos dos Povos Afro-indio-americanos, Cepaia. Mais...
18/11 -  II Caminhada de Comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra do bairro de Engenho Velho de Brotas. Mais...
18 a 27/11 - BAHIA AFRO FILM FESTIVAL Festival de filmes afro-latino-americanos. Mais...
20/11 - Dia Nacional da Consciência Negra -29ª Marcha Zumbi dos Palmares, com o tema “120 anos sem abolição”.  Mais...
20/11 - Sessão especial na Câmara Municipal do Salvador. Mais...
20/11 - Sessão especial na Assembléia Legislativa da Bahia em homenagem ao povo de candomblé e aos 100 anos da Umbanda. Mais..
21/11 –  Seminário Liberdade Religiosa: Uma Questão de Direitos Humanos Faculdade de Medicina - Terreiro de Jesus. Mais...
23/11 - 4ª Caminhada do Povo de Santo pela Vida e Liberdade Religiosa.Abraço do Dique do Tororó. Mais...
24/11 a 5/12 - Curso Irê Ayó: Educação das Relações Étnico-Raciais. Instituto Anísio Teixeira e  Secretaria de Cultura  (Salvador-Bahia)

aRTIGOS
 
Relações raciais, a falsa democracia racial. Por Walter  Passos.

 

 

Caminhada faz homenagem a Barack Obama
Entidades negras consideram como marco a vitória de Obama para a presidência dos Estados Unidos

(IME) - No próximo 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, acontece, a partir das 16h, a 8ª Caminhada da Liberdade. O evento, organizado pelo Fórum de Entidades Negras da Bahia, tem como objetivo levar a mensagem de conscientização sobre a resistência negra às ruas de Salvador. No ano que se comemora 313 anos da Imortalidade de Zumbi dos Palmares, são esperadas cerca de 80 mil pessoas durante a atividade.

A Caminhada, que já entrou para o calendário da cidade, sairá às 16h do Curuzu e se encerrará no Pelourinho. Durante todo o caminho músicas de protesto lembram a realidade da população afro-brasileira e pedem o fim do racismo. Estarão presentes na Caminhada os blocos Ilê Aiyê, Male Debalê, Cortejo Afro, Muzenza, Okambi, Os Negões entre outros.

Para Walmir França, o diretor do Bloco Os Negões, este ano a Caminhada tem um caráter especial, pois a vitória de Obama é um marco para população negra. "Se foi possível um presidente negro nos Estados Unidos, nós acreditamos que também é possível no Brasil, afinal somos quase 50% da população desse país. Precisamos, portanto, garantir as ações afirmativas para acelerar esse processo," afirma.

Atividades - Durante todo o mês de novembro as entidades que fazem parte do Fórum de Entidades Negras da Bahia realizam diversas ações em pontos da cidade, como Itapuã, Engenho Velho de Brotas, Vasco da Gama, Pirajá, Pelourinho, Liberdade. A Caminhada da Liberdade faz referência também aos 313 anos da Imortalidade de Zumbi dos Palmares, herói nacional e líder do Quilombo dos Palmares, o mais importante quilombo de resistência à escravidão no Brasil.(Postado por Paulo Rogério)

O QUÊ: Caminhada da Liberdade (Dia Nacional da Consciência Negra)
ONDE: Liberdade, Curuzu em direção ao Pelourinho. DATA: 20/11, quinta-feira.
HORÁRIO: a partir das 16h.

Fontes para Entrevistas:
Walmir França (presidente do Bloco Os Negões): 32665914 / 9603-8521
Antônio Carlos Vovô (presidente do Bloco Ilê Aiyê) 9984-4969


Ato público pela saúde da população negra
 
(Brasília) - O Fórum de Mulheres Negras do Distrito Federal e diversas entidades do movimento negro e feminista da capital promovem nesta quinta-feira (20), às 14h, um ato em defesa da implementação da Política Nacional de Saúde da População Negra do DF. A manifestação ocorrerá na Praça Zumbi dos Palmares, no Conic.

Serão dadas informações e distribuídos panfletos sobre a importância de ações específicas de atenção à saúde da população negra e de combate ao racismo institucional nas unidades de saúde do DF. Uma carta nesse sentido já foi enviada ao secretário de saúde do DF, Augusto Carvalho. No documento, o Fórum de Mulheres Negras e as demais entidades reivindicam:

- adoção do quesito cor nos sistemas de informação de crianças nascidas vivas e de mortalidade e no atendimento e internação da rede de saúde pública e particular do DF, o que resultará em aquisição de dados que permitam melhor delinear políticas públicas de promoção da igualdade racial com atenção à população negra;

- criação e manutenção do Comitê Técnico de Saúde da População Negra do DF, formado por representantes do Governo e da Sociedade Civil, para o planejamento e fiscalização destas políticas; - estruturação de um sistema efetivo de prevenção e tratamento de doenças recorrentes na população negra, a saber: implantação do "teste do pezinho" para informação e difusão sobre a doença falciforme; prevenção e tratamento de hipertensão arterial, transtornos mentais, miomatoses, cânceres de mama e colo uterino, diabetes mellitus, dentre outras;

- especial atenção a políticas públicas que garantam a autonomia e soberania sexual e reprodutiva de nós, mulheres negras. (Juliana Nunes)

Observação: Para subscrever o documento, população e entidades podem acessar a petição on line (http://www.petitiononline.com/saudeneg/petition.html)

Serviço: Ato pela saúde da população negra do DF
Data: 20 de novembro, quinta-feira
Local: Praça Zumbi dos Palmares (Conic)
Horário: 14h
Contatos para imprensa: Jacira – 8413-7199 // Eliane - 9957-0853 // Juliana - 9249-707
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Povo de Santo se prepara para 4ª Caminhada pela Vida e Liberdade Religiosa
Terreiros de candomblé vão às ruas de Salvador pedir o fim da intolerância religiosa

No último dia 19 de setembro, Salvador (Bahia) acordou com suas árvores rodeadas por mais de três mil metros de pano branco (ojás). Da Praça da Sé à Orla, a mensagem era a de que o Povo de Santo começava a anunciar sua ida às ruas mais uma vez pedindo respeito ao direito de professar sua religião. E isso ocorrerá no dia 23 de novembro (domingo), a partir das 9h, saindo do Busto de Mãe Runhó (Engenho Velho da Federação) até o Dique dos Orixás, como é chamado o Dique do Tororó, pelos religiosos do Candomblé em Salvador. Este ano, a 4ª Caminhada do Povo de Santo levará às ruas não só o pedido de respeito, mas irá também conclamar os praticantes das religiões de matriz africana a denunciarem toda e qualquer discriminação da qual sejam vítimas.

No Ministério Público Estadual (MPE), atualmente, tramitam 15 casos de intolerância religiosa, a maioria ligada a igrejas pentecostais e seus fiéis. “O que vemos entre o nosso povo de Candomblé é que muitos casos não chegam a ser denunciados, por acharem que não dará em nada, que apenas trará problemas caso levados à frente”, pontua Marcos Rezende, do Coletivo de Entidades Negras, uma das entidades organizadoras da Caminhada. Para religiosos e ativistas do Movimento Negro, muitos casos não recebem uma classificação específica já nas delegacias e acabam “morrendo” como denúncias de injúria, calúnia ou difamação. “Queremos que a discriminação religiosa seja enquadrada na lei Caó (1776/89), que é uma lei federal, que determina pena de um a três anos de prisão para qualquer discriminação quanto a cor, raça, etnia e religião. Nesta lei, estes crimes são inafiançáveis e imprescritíveis”, explica o advogado Sergio São Bernardo, do Instituto Pedra do Raio (IPR), que presta assessoria jurídica a membros de religiões de matriz africana e comunidades tradicionais.

No último mapeamento realizado pela Prefeitura de Salvador, cerca de 8,6% dos Templos de Candomblé mencionaram já ter tido conflitos com outros grupos religiosos, sendo que 46 lideranças destes Terreiros apontaram a Igreja Universal, especificamente, como principal causadora dos conflitos. Brigas com católicos aparecem em dois casos. (Marcos Rezende/Postado por Jamylle Menezes).


Fundação Cultural Palmares realiza oficinas de quilombolas

(FCP/MinC) - O Dia da Consciência Negra será celebrado com oficinas e seminários para os que visitarem o município de União dos Palmares, Alagoas, onde se localizava o Quilombo dos Palmares. A programação se estende do dia 15 de novembro ao dia 03 de dezembro, com atividades variadas, como oficinas, rodas de capoeira, teatro, hip hop, entre outras e dois seminários sobre o espaço da Serra da Barriga.

 

cLIPPING
Capa da New YOrker faz apologia a Obama
 


(ALAI) - A última edição de uma das revistas mais importantes dos Estados Unidos, a New Yorker, está circulando com uma capa que louva a vitória de Obama. Negra como a noite e com o Memorial Lincoln iluminado pelo "O" -  de Obama - como se fosse a lua. A imagem do Memorial refere ao presidente norte-americano Abraham Lincoln que, em 1863, durante a Guerra Civil (de Secessão),  assinou a Proclamação de Emancipação, que, supostamente, declarou livres os acorrentados. "A lua, e a noite, parece indicar, sem fanfarra, a paz e tranqüilidade", diz um leitor da revista. 
A New Yorker é uma revista semanal, fundada por jornalistas do New York Times, que circula desde 1925 com foco cultural na vida novaiorquina. Considerada como excelência em jornalismo, contém  reportagens, comentários, ensaios, ficção, roteiros, charges, principalmente com crítica, sátira e muito humor. É uma das publicações semanais (sérias) mais lidas nos Estados Unidos e também com um grande público fora do país norte-americano (a maior em circulação, comparada a revistas similares, como The Economist and The Week), em torno de 1 milhão de revistas circuladas nos últimos cinco anos. É considerada uma revista de posição política "democrata" e foi criticada por adversários por ter dado apoio à campanha de Barack Obama para a presidência da República. (Ana Alakija).

Miriam Makeba morre na Itália 

(Afropress,10/11/2008) - Conhecida em todo o mundo como Mama África, Miriam Makeba, 76 anos, morreu nesta segunda-feira (10/11), de madrugada, vítima de uma parada cardíaca, após ter participado de um show a favor do escritor Roberto Saviano, ameaçado de morte pela máfia napolitana. Makeba foi uma voz atuante na luta contra o regime do apartheid na África do Sul. No Brasil ficou conhecida pela música “Pata a Pata”.
Miriam Makeba passou mal depois de ter cantado por 30 minutos no show em solidariedade ao escritor italiano, realizado em um reduto da Camorra, a máfia napolitana. Seis imigrantes africanos e um italiano foram assassinados em setembro passado, em circunstâncias não esclarecidas. "Foi a última a sair do palco, depois de outros cantores. Houve um bis e neste momento alguém perguntou se havia algum médico entre o público. Miriam Makeba havia desmaiado e estava no chão", afirma um fotógrafo da agência France Presse presente ao evento. Levada rapidamente para uma clínica de Castel Volturno, ela morreu em conseqüência de uma parada cardíaca.
Miriam Makeba nasceu em 4 de março de 1932 em Johannesburgo. Ela começou a cantar nos anos 1950 com o grupo Manhattan Brothers e, em 1956, compôs "Pata, Pata", canção que seria seu maior sucesso.
A cantora viu seu país mudar com a chegada ao poder, em 1947, dos nacionalistas africaners. Aos 27 anos deixou a África do Sul pela carreira e teve a entrada proibida no país pelo compromisso com a luta antiapartheid, incluindo a participação no filme "Come Back, Africa".
O exílio durou 31 anos, em diversos países. A cantora fazia muito sucesso, mas seu casamento em 1969 com o líder dos Panteras Negras Stokely Carmichael, do qual se separou em 1973, não agradou as autoridades americanas, que a forçaram a emigrar para Guiné. Depois da morte da filha única em 1985, voltou a viver na Europa, mas em 1990 Nelson Mandela a convenceu a retornar para a África do Sul.


O dia 20 de novembro terá uma programação especial, que começará às 4h30 da manhã, com uma oferenda aos Eguns, ancestrais palmarinos, e terminará com o show deMargareth Menezes. No dia 25 de novembro, terá início o primeiro seminário, chamado Serra da Barriga: espaço de memória da população afro-descendente. O segundo seminário vem em seguida, nos dias 02 e 03 de dezembro, com o tema Serra da Barriga: Desenvolvimento e Progresso para União dos Palmares.

Cerca de 20 comunidades quilombolas, dos estados de Alagoas, Pernambuco e Mato Grosso, vão expor seus trabalhos artesanais em tendas no Parque Memorial Quilombo dos Palmares, inaugurado em novembro de 2007. Duas comunidades quilombolas do município de Santana do Mundaú, em Alagoas, oferecerão aos visitantes oficinas de Farinhada e de Palha, nos dias 19 e 20. Na oficina de Farinhada, os quilombolas explicam todo o processo de fabricação da farinha. Na de Palha, os visitantes vão aprender como fazer esteiras e abanadores de palha.

Estarão presentes na Serra da Barriga, o presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), Zulu Araújo e o diretor de Proteção do Patrimônio Afro-Brasileiro da FCP, Maurício Reis. Várias bandas e artistas se apresentarão durante as comemorações, como Sandra de Sá, Adão Negro, Orquestra de Berimbau e Banda Raízes de Zumbi, entre outros. As atividades acontecerão no Parque Memorial Quilombo dos Palmares, que fica na Serra da Barriga, e na cidade de União dos Palmares. (Marília Matias de Oliveira. postado por Luciana Mota)

 
Programa de Intercâmbio
Jornalistas africanos e afro-brasileiros visitam Salvador no mês da Consciência Negra

Programa promove intercâmbio de informações entre profissionais multimídia do Brasil e exterior

(ALAI) - Jornalistas de países africanos e de outros estados brasileiros visitam Salvador em novembro (a partir do dia 6) para cobrir as atividades comemorativas do mês da Consciência Negra a convite da Agência Afro-Latina e Euro-Americana de Informação (Alai). Como participantes do Programa de Intercâmbio de Informação da ONG, realizado em parceria com a ONG senegalesa Alliance Panafricaniste eles vão produzir matérias para seus veículos de comunicação sobre o marco da luta dos movimentos sociais por igualdade racial.

Eles vão cobrir eventos, entrevistar líderes de organizações negras, visitarão instituições governamentais, casas de cultura africanas sediadas em Salvador – a exemplo da Casa do Benin, da Angola e da Nigéria - templos religiosos afro-brasileiros, blocos afros e outros pontos de interesse histórico-cultural. Eles ainda participam da marcha social no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.

DANDO VISIBILIDADE AO INVISÍVEL

A Agência Afro-Latina e Euro-Americana de Informação é uma Organização Não-governamental, criada em Salvador por jornalistas e outros profissionais de comunicação ativistas e militantes desde os anos 70, com o objetivo de promover o diálogo entre o povo afro-brasileiro e africanos na África e em suas diásporas. O projeto de intercâmbio, concebido como uma forma de cooperar e compartilhar solidariedade através de ações informativas, realizou a sua primeira edição em fevereiro deste ano, quando trouxe a Salvador jornalistas do Senegal, França, Estados Unidos e Nigéria, tendo o Carnaval como foco.

“O objetivo é evidenciar questões políticas, econômicas e sociais invisíveis em países que abrigam segmentos populacionais descendentes da África e culturas de matriz africana”, informa a coordenadora geral da entidade, a jornalista Ana Alakija. “Dando visibilidade a essas questões, espera-se contribuir para a solução de conflitos, já que a maioria tem pontos comuns nessas sociedades – como o racismo, a intolerância, a exclusão e o choque etnico-cultural”.

O programa também deve acontecer no sentido inverso, levando jornalistas brasileiros para conhecer as realidades de países africanos e outras diásporas. “Afro-descendentes terão prioridade”, diz a jornalista “uma prerrogativa do programa que visa criar oportunidade para profissionais de comunicação através do viés justamente pelo qual eles têm sido discriminados no mercado de trabalho”.  (Postado por Diana Condá / EvaniceSantos)

 
 
 
 

 
Salvador sedia encontro de Mulheres africanas e da Diáspora em Colóquio Internacional  
   
(Irohin) - De 6 a 9 de novembro, Salvador recebeu o I Colóquio África Diáspora: o Papel da Mulher Negra na Geopolítica, realizado pela Unegro (União dos Negros pela Igualdade), em celebração aos 20 anos de sua fundação. Com Auditório lotado na Reitoria da Universidade Federal da Bahia, em sua noite de abertura (sexta-feira), o Colóquio seguiu até domingo (9), com um público considerável participando dos debates sobre os desafios do combate à pobreza e o racismo no mundo. “Quisemos ampliar nossas discussões, sair de nosso meio e trocar experiências com as mulheres negras africanas e da Diáspora. Esse Colóquio nos trouxe muitas informações da realidade destas mulheres no mundo, que não está longe da nossa. Somos apenas 10% do Senado, 8% da Câmara Federal, 10% da vereança municipal (até janeiro de 2009), um quadro que precisa ser mudado”, afirma a coordenadora da Unegro, vereadora Olívia Santana.

O Colóquio reuniu mulheres que protagonizaram e ainda estão à frente de transformações em seus países, em áreas essenciais como as de Cultura, Educação, Saúde, Tecnologia, Direito, Ciência, Trabalho e Política. Esta, na opinião geral entre elas, uma área que, infelizmente, ainda carece da presença feminina. Dos seis bilhões da população mundial, cerca de quatro bilhões e meio são não-brancos e metade é constituída de mulheres. “Somos muitas e não estamos onde deveríamos estar, que é nos espaços de decisão em nossas cidades, nossos estados e países. Essa vontade política é que deve ser estimulada entre nós, mulheres negras”, aponta a mestra em Ciência Política e Relações Internacionais (Universidade de Yale/EUA), Jeannine Scott, vice-presidente da Africare (www.africare.org), organização afro-americana de ajuda à África. Seguem alguns depoimentos:

 ‘Temos ligações naturais umas com as outras e isso tem que ser potencializado. O que tratamos aqui deve ser levado para muitas outras mulheres negras, no Brasil e no mundo. Temos que tentar levar essas discussões até elas ou trazer muitas mais até os debates. Há muita coisa acontecendo com as mulheres negras no mundo todo e muitas poucas pessoas sabem disso. Muitas delas estão morrendo e levando consigo suas realidades, virando estatísticas. Então, temos que conhecer essas realidades e gritá-las para todos”. (Dolores Mohammed (Nigeria) - Diretora da Essence International School (Nigéria – www.essenceschool.com) e vice-presidente da Comissão de Imigrantes Africanos e Caribenhos da Municipalidade da Filadélfia (EUA).

Estamos na era da informação e temos que compartilhar entre nós o que está acontecendo em nossas comunidades, para que possamos identificar nossos inimigos e desafios. Não temos mais que lutar sozinhas e essa foi uma das grandes certezas que pude ter aqui. Estamos vivendo um momento de congraçamento, com a eleição de Obama nos EUA, o que foi resultado do que vimos fazendo ao longo dos anos, independente do que possam nos dizer. Michele Obama (sua esposa) e suas filhas representam essa nossa luta, das mulheres negras e isso deve nos servir de inspiração”. Vinie Burrows-Harrison (EUA) – Representante da ONU na Federação Democrática Internacional de Mulheres – FDIM.

“O Brasil precisa conhecer mais a África, acho que isto ainda está faltando O primeiro passo que temos que dar é nos conhecermos e funcionar em rede, estar em permanente contato. È importante que tenhamos mais intercâmbios internacionais e que demos seguimento aos primeiros contatos que aqui pudemos estabelecer. Talvez construir um elo mais forte com os países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) seja um bom caminho.” Edeltrudes Pires Neves - Cabo Verde - ex-Secretária de Estado e Ministra da Reforma do Estado, Administração Pública e Poder Local. “Em muitos países na Europa, temos mulheres negras vivendo na mais extrema pobreza e submetidas a todos os tipos de violência. O Brasil tem um grande potencial para ser um verdadeiro centro de luta em relação a esta questão e, neste Colóquio, acredito que muitas experiências passarão como referência de continuidade entre as mulheres que aqui estiveram.” Lily Golden (Rússia) – Professora das Universidades de Moscou e de Chicago; pesquisadora do Instituto de Estudos Africanos - Chicago;

“É a primeira vez que vejo tantas mulheres negras juntas debatendo assuntos que nos interessam e que nos afetam. Acho que se há soluções para nossa situação no mundo, elas devem vir de nós mesmas. É muito conveniente esperar por soluções que venham dos outros e da política que os outros fazem para nós, mas acho que precisamos deixar de ser vítimas e começarmos a trabalhar para nós mesmas. Temos que ter estratégias em uma rede internacional para trabalharmos juntas. Precisamos de mais encontros, mais intercâmbios, conhecermo-nos umas às outras e estarmos estimuladas pela política.” Tetchena Bellange (Haiti / Canadá) - produtora de cinema e teatro, documentarista e atriz; diretora da Bel Ange Moon Produções.

“Precisamos acabar com o racismo, definitivamente. Lutar contra ele em toda a Diáspora, e contra a violência que acomete nossas mulheres é vital pra nossa sobrevivência, para que possamos nos fazer ouvir e possamos ser vistas enquanto parcela imprescindível para o desenvolvimento do mundo. Precisamos ainda de muito trabalho para que tenhamos uma participação efetiva na política mundial. Não basta falarmos apenas, pois nada nos virá de graça, tão pouco com facilidade. Temos que estar à frente de todas as nossas batalhas”. Ângela Majaanti, deputada da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo). O Colóquio encerrou com uma Caminhada das Mulheres até o Campo Grande, que contou com discursos e cânticos entoados pelas africanas durante o percurso, finalizado com apresentação da Banda Didá (Jamille Menezes) Mais...

 

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